SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA EM DOCENTES E SUAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS NO TOCANTE À QUALIDADE DE VIDA

  • Aline Evelin da Silva Arantes Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Sandra Ribeiro de Almeida Lopes Universidade Presbiteriana Mackenzie
Palavras-chave: depressão, qualidade de vida, docentes

Resumo

O sofrimento psíquico no trabalho tem sido apontado por estudiosos como uma variável que pode influenciar no adoecimento. A carreira docente, tida como uma das categorias profissionais mais populosas do país, possui características e processos de trabalho peculiares, que se somados a fatores subjetivos e emocionais, podem se relacionar ao surgimento de diversos sintomas psicopatológicos como, por exemplo, os que configuram o quadro depressivo. Do mesmo modo, os fatores laborais que compõe o universo de trabalho do professor podem estar atrelados à sua percepção da qualidade de vida. O objetivo desta pesquisa consistiu em investigar as possíveis relações entre a incidência de sintomas depressivos e impactos na qualidade de vida dos professores da cidade de São Paulo. Trata-se de um estudo de natureza descritiva e de abordagem quantitativa e qualitativa realizado com 41 docentes dos seguintes níveis de ensino: infantil, fundamental, médio e superior. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Questionário sociodemográfico, Inventário de Beck e o World Health Organization Quality of live – bref. Os resultados obtidos demonstraram maior prevalência de sintomatologia depressiva em docentes do sexo feminino e níveis de qualidade de vida inferiores aos do sexo masculino em todos os domínios de vida avaliados. Evidenciou-se também que as seguintes variáveis: sexo feminino, atuar no nível de ensino infantil (pré-escola), possuir entre 06 e 10 anos de experiência na profissão, idade entre 20 e 29 anos, ter uma carga horária de 30 horas semanais e atuar exclusivamente como professor operam como fatores de risco para o adoecimento da categoria docente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Batista, J. B. V., Carlotto, M. S., & Moreira, A. M. (2013). Depressão como causa de afastamento do trabalho: um estudo com professores do ensino fundamental. Psico, 44(2), 11.

Beck, A. T., Steer, R. A., & Brown, G. K. (1996). Beck depression inventory-II. San Antonio, 78(2), 490-498.

Bellucci, N. P. (2011). Estranhamento; alienação e discriminação de gênero: o trabalho da mulher professora. V Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo. Anais.... UFSC, Florianópolis, Santa Catarina.

Dejours, C. (1988). A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. In A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho.

Damásio, B. F., de Melo, R. L. P., & da Silva, J. P. (2013). Sentido de vida, bem-estar psicológico e qualidade de vida em professores escolares. Paidéia (Ribeirão Preto), 23(54), 73-82.

Diehl, L., & Marin, A. H. (2016). Adoecimento mental em professores brasileiros: revisão sistemática da literatura. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 7(2), 64-85.

Freud, S. (2010). Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos. São Paulo: Companhia das letras.

Gabbard, G. O. (2006). Psiquiatria Psicodinâmica na Prática Clínica. 4ª. Porto Alegre: Artmed.

Gatti, B., & de Sá Barretto, E. S. (2009). Professores do Brasil: impasses e desafios. Unesco Representação no Brasil.

Gomes, A. P. R., & Quintão, S. D. R. (2011). Burnout, satisfação com a vida, depressão e carga horária em professores. Análise Psicológica, 29(2), 335-344.

Gontijo, É. E. L., da Silva, M. G., & Inocente, N. J. (2013). Depressão na docência: revisão de literatura. Vita et Sanitas, 7(1), 87-98.

Loures, M. C., & Porto, C. C. (2011). A avaliação da qualidade de vida: guia para profissionais de saúde. Porto Alegre: Artmed; 2008.

Moreira, G., Samilly, A., Amorim Santino, T., & Ferreira Tomaz, A. (2017). Qualidade de Vida de Professores do Ensino Fundamental de urna Escola da Rede Pública. Ciencia & trabajo, 19(58), 20-25.

Organização Nações Unidas BRASIL. Organização Mundial da Saúde registra aumento de casos de depressão em todo o mundo; no Brasil são 11,5 milhões de pessoas. Recuperado em 28 de junho, 2018 de https://nacoesunidas.org/oms-registra-aumento-de-casos-de-depressao-em-todo-o-mundo-no-brasil-sao-115-milhoes-de-pessoas/

Organização Mundial de Saúde. (1999). Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. 5. ed. Porto Alegre: Artes Médicas.

Papalia, D. E., & Feldman, R. D. (2013). Desenvolvimento humano. Artmed Editora.

Mariano, M. D. S. S., & Muniz, H. P. (2006). Trabalho docente e saúde: o caso dos professores da segunda fase do ensino fundamental. Estudos e pesquisas em psicologia, 6(1), 76-88.

Santos, M. N.; Marques, A. C. (2013). Condições de saúde, estilo de vida e características de trabalho de professores de uma cidade do sul do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, p. 837-846, 2013.

Strieder, R. (2009). Depressão e ansiedade em profissionais da educação das regiões da Amerios e da AMEOSC. Roteiro, 34(2), 243-268.

Varkey Foundation (2018) Global Teacher Status Index 2018. Recuperado em 16 de dezembro, 2018, de de https://varkeyfoundation.org/what-we-do/policy-research/global-teacher-status-index-2018

Wasinski, F., de Oliveira, Y. L., Navarro, A. C., & Navarro, F. (2011). A depressão em professores de educação física no município de Diadema-São Paulo. RBPFEX-Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, 3(15).

Whoqol Group. (1998). Development of the World Health Organization WHOQOL-BREF quality of life assessment. Psychological medicine, 28(3), 551-558.

Publicado
2019-12-26
Como Citar
Arantes, A. E. da S., & Lopes, S. R. de A. (2019). SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA EM DOCENTES E SUAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS NO TOCANTE À QUALIDADE DE VIDA. Psicologia E Saúde Em Debate, 5(2), 24-42. https://doi.org/10.22289/2446-922X.V5N2A2
Seção
Artigo original