REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DAS DROGAS PARA ADOLESCENTES COM E SEM EXPERIÊNCIA DE USO

  • Ivana Lauffer Corrêa Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
  • Jean Paulo da Silva Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
  • Andréa Barbará da Silva Bousfield Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
  • Andréia Isabel Giacomozzi Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Palavras-chave: Prevenção, Estudantes, Saúde mental

Resumo

Esta pesquisa teve por objetivo investigar as representações sociais sobre drogas para adolescentes com e sem experiência prévia de consumo. O estudo foi realizado com 262 adolescentes do ensino médio da região metropolitana de Florianópolis no Estado de Santa Catarina. Os dados foram coletados por utilizando um questionário com questões abertas e fechadas com aplicação autoadministrada. A análise dos dados quantitativos foi realizada empregando estatística descritiva e inferencial, e Classificação Hierárquica Descendente para os dados textuais. Foi observado que para os adolescentes com experiência de uso, as representações sociais das drogas se associam a uma noção de controle do uso, buscando evitar vício e tendo por finalidade a fuga de problemas. Os adolescentes sem experiência de uso, representam as drogas a partir das consequências negativas do uso no nível individual, familiar e para a sociedade. Além disso, foi possível aferir que para a maior parte dos adolescentes participantes não há o reconhecimento do álcool como uma droga. Considera-se que para o desenvolvimento de mudanças na realidade atual que envolve o contexto de uso de drogas na adolescência, ações interventivas devem ser adaptadas às particularidades do pensamento social produzido pelos adolescentes, além da articulação de abordagens que insiram essa temática de modo transversal nos contextos de aprendizado e desenvolvimento individual e social.

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Publicado
2020-09-08
Como Citar
Corrêa, I. L., da Silva, J. P., Bousfield, A. B. da S., & Giacomozzi, A. I. (2020). REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DAS DROGAS PARA ADOLESCENTES COM E SEM EXPERIÊNCIA DE USO. Psicologia E Saúde Em Debate, 6(2), 18-38. https://doi.org/10.22289/2446-922X.V6N2A2
Seção
Artigo original